segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A hibernar?

Este post demorou muito para sair.


Não queria um post piegas… temos tantas coisas boas na vida que apreciamos tanto.

Muitos dias temos um pôr-do-sol que nos dá alma nova. Assim, se por um lado é um sacrifício sair ao fim da tarde para continuar o trabalho noutro local, também temos o benefício de apanhar dias espectaculares em que o pôr-do-sol merecia ser captado por alguém com as mão livres e com capacidade para o fazer com toda a arte.

Temos outras coisas boas: juntarmo-nos com uma família amiga e ir à azeitona. É claro que não esperámos pelos frios de Dezembro, foi logo em Novembro, quando a dureza da tarefa é quase nula. Mesmo assim, ainda andámos uns dias a queixarmo-nos e dores nas costas, dores nas pernas, doía tudo… Apanhámos azeitona suficiente para o azeite do ano. Nada mau!

E ver os nossos borreguinhos a nascer? É uma visão revitalizadora! Por muitas vezes que se repita, o milagre da vida surpreende sempre.

Hoje num blog de uma menina que acompanho e vez em quando encontrei uma frase de Fernando Pessoa, que tenho usado nos últimos tempos:

“Às vezes oiço o vento passar; e só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido!”

Por isso não queria um post piegas. Tenho tanta coisa boa à minha volta e dou-lhe valor! Mas a falta de tempo é que me troca as voltas. Agora, temos que agradecer todo o trabalho que temos, mesmo quando é avassalador. “Ainda bem” dizemos e agradecemos por ter trabalho, mesmo quando gostaríamos que fosse diferente. “É trabalho, ainda bem que o tenho”.

Mas o que se deixa para trás é tanto e às vezes tão pesado… principalmente no que toca ao acompanhamento dos filhos.

Talvez o ano novo traga mais calma, melhores perspectivas, pelo menos só um pouquinho mais de tempo livre… Como dizia a minha Avó “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”

Entretanto o natal cá em casa chegou mais cedo. Tinha muita vontade de ter uma roda. E ela cá chegou… é bonita, diferente, muito simples. É pena é ainda não ter tido tempo para tomar mais conhecimento com ela.




Também houve outros trabalhos em mãos.

Às cunhadas tenho feito as prendas de anos em tricot. Não sabia bem se gostavam, não se manifestavam muito. Mas este ano pareceu-me que sim. O facto de utilizarem as pequenas peças que lhes vou oferecendo, serviu de incentivo para continuar.


Este ano as prendas foram estes cachecóis para usar com camisolas de gola alta. Achei-os bem bonitos. A lã utilizada é linda e macia, é alpaca, da DROPS, comprada na Bola de Tons. O serviço esta loja foi espectacular, de uma delicadeza e simpatia “fora de série”(como dizia a minha Tia Maria Augusta).

A propósito de lãs, queria partilhar convosco uma notícia que encontrei numa revista inglesa que compro com alguma frequência, “The Knitter”. É bom saber que os fios de origem portuguesa da Rosários 4 são apreciados e vendidos no Reino Unido. É caso para dizer “o que é nacional é bom”.



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Contagem decrescente

Faltam exactamente 30 dias para o Natal. Parece imenso tempo de espera até à consoada com a família,  e da manhã de Natal cheia de presentes. Mas....das festas as vésperas. 
Até ao Natal ainda vou reencontrar gente que só vejo uma vez por ano, os almoços e jantares com os amigos que há muito não vemos, os telefomas, o horário muito preenchido por festas. Às vezes é cansativo mas sempre muito agradável ver tanta gente cheia de boa disposição e esperança. 

Prometi a mim mesma que este ano ia começar a trabalhar nas prendas a tempo e horas para evitar stress de última hora. Mais uma vez estou a adiar, por diversas razões ainda não comecei...e agora é o costume, carregar no acelerador. Não posso falar muito sobre os meus planos porque alguns dos destinatários lêem o blog e não quero estragar a surpresa.


Entretanto fica aqui o meu ultimo trabalho antes de começar o Natal.
Vi esta lã na prateleira e apaixonei-me.  Muito fofa e colorida, trabalha -se bem e dá um resultado muito engrançado.
A lã é portuguesa da Brancal, o modelo da Drops, tamanho de 12/18 meses e os botões fui eu que fiz!


Boas Festas!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Finalmente acabadas!

Ando desde o verão com um projecto enfiado nas agulhas.

Levei para férias umas meaditas fiadas por mim, na esperança de as transformar em meias para o inverno.
Comecei bem, escolhi dois modelos simples este e este,  e atirei-me ao trabalho.
O primeiro par foi rápido. Apesar de não ter muito jeito com as agulhas, consegui fazer um pequeno rio ao longo da meia.
Já o segundo par ficou pendurado nas agulhas por muitas semanas ( 3 meses!). A semana passada peguei nelas e terminei-as, a pensar que já começam a ser de utilidade. Gostei muito deste modelo, que só percebe que é uma meia quando se chega à perna. Antes disso é muito difícil ver onde está o calcanhar.


Aproveitei ainda para fazer experiências de tinturaria. Tingi um par com couve roxa. Não se consegue perceber muito bem, mas fiquei com um par de meias azul-arroxeado-acinzentado......já viram de que cor fica o caldo da salada de couve roxa no fim da refeição? é essa cor mesmo, azul oxidado.

Foi uma supresa para mim, pois já tinha feito esta experiência sem usar alumen e obtive um rosa pálido. Não sei se foi do alumen ou de ter o caldo feito à alguns dias, mas desta vez ficou azul!

E falando do alumen não posso deixar de partilhar uma pequena cena em que participei quando fui à drogaria comprá-lo. Quando entrei estava uma senhora a olhar para as prateleiras com um ar fascinado. Fiz o meu pedido à droguista, e enquanto pesava, a senhora perguntou-me em inglês "What do you use alumen de potássio for?", lá lhe respondi da melhor forma possível enquanto via a cara de encantada dela. "We don't have anything like this in Spain.". Pois eu não acredito que não haja, acredito mais que já são assuntos muito esquecidos e muita gente já nem sabe o que é uma drogaria,  mas pelo ar de encantamento de certeza que tinha vontade de saber mais.   

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aprender renda de gancho


Aprender é bom… é uma oportunidade de crescer, em todos os aspectos.

Desta vez a aprendizagem foi proporcionada por uma senhora que tem as rendas como passatempo já há muitos, muitos anos.

Esta arte estava guardada há vários anos, embora não esteja esquecida. É como andar de bicicleta. As mãos depressa encontraram o caminho para poderem ensinar. E esta arte é a renda de gancho. Já vi também com o nome de ganchada.



Este gancho é grande. Faz um trabalho rápido e bonito. Deve servir também para outros materiais como a lã por exemplo, para fazer um xailinho? ;)

Antigamente as meninas usavam um gancho de cabelo e linhas de coser. Os trabalhos ficavam com outro pormenor, mais airosos. Não imagino esses ganchos e a paciência e cuidado que devia ser preciso para trabalhar neles. Devem ser maiores do que aqueles que hoje se usam. Nesta amostra que me emprestou cada franja tem cerca de 2,5 centímetros de largura, que deve corresponder à largura do dito gancho.

Recordo que no meio das coisas da minha avó apareceu um gancho de madeira que tive dificuldade em perceber a sua utilidade. Agora já tem destino, quer dizer… assim que o encontrar. Lembro-me que tinha uma ponta partida. Teremos que lhe dar algum conserto.

A franja é fácil de fazer, exige atenção, mas cresce depressa.


Depois estas franjas são unidas com crochet. Deve haver muitas maneiras de o fazer, devia depender do saber e arte da artesã, ou das amostras que tinha.

Cá estão os dois exemplos que consegui produzir.


Este está esticado para ficar direitinho.


Este já está quase pronto, só falta rematar as pontinhas.



De outros tempos encontrei também este sarilho.

 

Lindo, cheio de memórias de outros tempos. Posso mesmo dizer “ai se o meu sarilho falasse….” muito tinha para ensinar.

domingo, 9 de outubro de 2011

A vida é como os interruptores...

....umas vezes para cima e outras para baixo. Apesar de ser uma frase de filosofia barata dita por um cómico, é das mais certas que tenho ouvido até hoje. E assim foi esta semana! 

Andava há algum tempo a planear mais uma máquina para trabalhar lã, o wool picker. Andei de um lado para o outro à procura dos pregos mais convenientes. Fiz planos e medições, risquei , apaguei e voltei a calcular. Na sexta-feira meti mãos ao trabalho. Dois dias e 150 furos depois foi a isto que cheguei!

Primeiro estalou a tampa de alto baixo, e pensei  "...paciência, cola-se o logo se vê se resulta."  Passei à base. Ao fim da segunda fila de pregos comecei a ver um racha, meia dúzia de pregos depois tive de desistir. A cada prego a racha aumentava mais e ia acabar por partir.
Já tinha lido que madeira de pinho estalava com facilidade e não era melhor escolha, mas é o que existe à venda. 
A primeira tentativa não resultou, mas aprendi uma coisa ou duas e para a próxima pode ser que saia melhor! Agora tenho de procurar madeira dura (?!?), vamos lá ver quanto tempo demoro a encontrar. 

O lado alto da semana chegou na quinta-feira. Nasceu mais uma "sobrinha", pequenina e linda. Fiz-lhe este casaco, mas não sei se terá tempo de o usar. Com o calor que está vai crescer num instante.



...e como é Domingo de sol, vou aproveitar para passear. Vou até aqui ver o ambiente.

Boa Semana

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tantos Xailes?

Fazer xailes é um hábito…


Talvez o xaile seja a peça de tricot mais fácil de fazer e de usar.

Normalmente um xaile faz-se rápido. Como gosto de os começar por cima eles crescem muito depressa. O pior é quando se chega às voltas mais longas, aí não há nada a fazer…. é só continuar.

De cada vez que faço um xaile imagino algumas alterações ou alguns pontos, e como ficarão num xaile. Começam logo a crescer na minha imaginação.

Tanta introdução para apresentar mais um.

Tenho feito alguns construindo 3 triângulos, em vez dos tradicionais 2, para tentar obter uma peça mais envolvente, que não caia durante o uso.

Cá está ele bem esticadinho.

A este juntei uma barra rendada que encontrei num livro antigo. Este padrão chama-se Kildare Edging. Achei-o simples e vistoso. Para fazer as tiras centrais retirei as "conchinhas", que depois acrescentei para fazer o remate do xaile.
A lã utilizada foi a Mé-mé 2 ply da Retrosaria e as agulhas foram 3,5.

Ficou envolvente. Não é muito comprido mas é o suficiente para aconchegar sem pesar ou prender os movimentos.








Outras coisas boas da vida são, por exemplo, ir à Lardosa participar num Passeio de Pasteleiras. Correu mesmo bem, o ambiente era muito alegre e descontraído. Viva a boa disposição.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Trabalhos acabados, Trabalhos começados

 Alguns trabalhos foram acabados, como estes casaquinhos para as duas meninas que vão chegar em breve.



O modelo é um clássico, em duas versões diferentes. Gosto dele porque é feito todo numa só peça. No final só temos que coser a parte debaixo das mangas. Para os bebés também deve ser mais confortável.

 
Parece-me que gosto mais do modelo cor-de-rosa (da revista tricot mag ), a transição entre as diferentes “secções” é mais suave. Do que eu gostei mesmo foi do modelo da touquinha, também é feita com short rows e resulta muito bem. Este modelo, bem como o casaquinho branco é um modelo gratuito da bernat



 
O encontro de fiadeiras serviu como incentivo para começar a lavar a minha lã. Este ano a tosquia foi mais tarde, são poucas as ovelhas e são poucos os tosquiadores disponíveis… A desvantagem é que a lã está muito suja, com muitas folhas agarradas à lã, dá muito trabalho a limpar.

Aqui está um bocado do velo a tomar banho no tanque. Vê-se bem como a água fica bem suja…



A ideia inicial era lavá-la dentro de sacos para a manusear o menos possível, mas a lã é tanta e o calor está quase a acabar… tenho que a lavar depressa para que seque antes que venha o frio. Vamos ver se fará muita diferença.


E quanto a trabalhos começados? A lã Noro Sekku está a tomar o caminho do xaile citron… e que belo caminho, estou a gostar de trabalhar com este fio, é muito suave e agradável. Não é muito homogéneo, o que resulta muito bem no trabalho…