terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tantos Xailes?

Fazer xailes é um hábito…


Talvez o xaile seja a peça de tricot mais fácil de fazer e de usar.

Normalmente um xaile faz-se rápido. Como gosto de os começar por cima eles crescem muito depressa. O pior é quando se chega às voltas mais longas, aí não há nada a fazer…. é só continuar.

De cada vez que faço um xaile imagino algumas alterações ou alguns pontos, e como ficarão num xaile. Começam logo a crescer na minha imaginação.

Tanta introdução para apresentar mais um.

Tenho feito alguns construindo 3 triângulos, em vez dos tradicionais 2, para tentar obter uma peça mais envolvente, que não caia durante o uso.

Cá está ele bem esticadinho.

A este juntei uma barra rendada que encontrei num livro antigo. Este padrão chama-se Kildare Edging. Achei-o simples e vistoso. Para fazer as tiras centrais retirei as "conchinhas", que depois acrescentei para fazer o remate do xaile.
A lã utilizada foi a Mé-mé 2 ply da Retrosaria e as agulhas foram 3,5.

Ficou envolvente. Não é muito comprido mas é o suficiente para aconchegar sem pesar ou prender os movimentos.








Outras coisas boas da vida são, por exemplo, ir à Lardosa participar num Passeio de Pasteleiras. Correu mesmo bem, o ambiente era muito alegre e descontraído. Viva a boa disposição.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Trabalhos acabados, Trabalhos começados

 Alguns trabalhos foram acabados, como estes casaquinhos para as duas meninas que vão chegar em breve.



O modelo é um clássico, em duas versões diferentes. Gosto dele porque é feito todo numa só peça. No final só temos que coser a parte debaixo das mangas. Para os bebés também deve ser mais confortável.

 
Parece-me que gosto mais do modelo cor-de-rosa (da revista tricot mag ), a transição entre as diferentes “secções” é mais suave. Do que eu gostei mesmo foi do modelo da touquinha, também é feita com short rows e resulta muito bem. Este modelo, bem como o casaquinho branco é um modelo gratuito da bernat



 
O encontro de fiadeiras serviu como incentivo para começar a lavar a minha lã. Este ano a tosquia foi mais tarde, são poucas as ovelhas e são poucos os tosquiadores disponíveis… A desvantagem é que a lã está muito suja, com muitas folhas agarradas à lã, dá muito trabalho a limpar.

Aqui está um bocado do velo a tomar banho no tanque. Vê-se bem como a água fica bem suja…



A ideia inicial era lavá-la dentro de sacos para a manusear o menos possível, mas a lã é tanta e o calor está quase a acabar… tenho que a lavar depressa para que seque antes que venha o frio. Vamos ver se fará muita diferença.


E quanto a trabalhos começados? A lã Noro Sekku está a tomar o caminho do xaile citron… e que belo caminho, estou a gostar de trabalhar com este fio, é muito suave e agradável. Não é muito homogéneo, o que resulta muito bem no trabalho…

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Caracol

Muitas vezes vivemos no nosso pequeno círculo, somos como o caracol, não alcançamos mais do que do alto do nosso pequeno pescoço conseguimos ver.


Algumas vezes acontecem-nos estímulos que nos levam a sair das nossas rotinas, da nossa letargia…

Desta vez este estimulo foi um encontro de fiadeiras (experientes e aprendizes) a que se juntaram praticantes de outras artes, como o tricot, mas principalmente a simpatia o gosto pelo convívio, por conhecer pessoas novas. Assinalava-se o dia Mundial de fiar em Público, e já são muitas a fiadeiras.

Gostei muito. Muitas pessoas conhecia de acompanhar à distância, seguindo os seus blogs, imaginava como seriam. Conhecer essas pessoas ao vivo é engraçado, o prazer do convívio foi grande.

Aprendi também algumas coisas… vi e senti lãs que nunca tinha sentido, como a alpaca e o pelo de coelho angorá, fazem uma nuvem, tal qual uma nuvem de sonhos, sem peso, só leveza…

Tive a sorte de ganhar uma lã azul da Yarn Adventures, linda, mesmo boa para fiar… vamos ver se tenho paciência para esperar por vez na roda de fiar da mana ou se será mesmo à mão.

Às organizadoras deste encontro agradeço a oportunidade, que espero se repita. Foram acolhedores e muito simpáticas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Preparação dos Velos 2011 - Abertura e cardagem

A seguir à lavagem vem um processo muito entediante, longo e demorado, mas apesar disso necessário.  A abertura da lã.

O objectivo é preparar a lã para cardar. Separam-se as fibras, retiram-se os nós, a "penugem" e muito lixo. O melhor método é abrir a lã à mão, os dedos sentem melhor que qualquer utensílio o que está a mais. Mas também é o mais demorado...Existem máquinas que nos facilitam a vida, mas só se tornam rentáveis para quem tem muita lã para tratar. Não sem o nome em português, em inglês são wool pickers e parecem máquinas de tortura mediaval. (Quando tiver oportunidade é a minha próxima compra! )

A seguir é só cardar (também não é um processo rápido) e enrolar os rolags. A lã fica pronta para trabalhar, quer fiar ou feltrar.

Ainda não acabei de cardar os 3.2Kg iniciais de lã. Mas pela amostra vou obter  1.8Kg de rolags prontos a usar. No total há uma perda de 44% do peso de lã suja. Quase metade! Uma grande parte é terra e sujidade. A parte mais pequena é a lã desprezada, a que não dá para fiar. Mas mesmo assim ainda é um grande volume de lã. Até ao momento ainda só descobri dois propósitos para estes restos: para enchimento ou para feltrar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Montra

Novos produtos aqui.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Meias

"Qual é a coisa qual é ela, que são quatro a trabalhar, dez a ajudar, a mãe a crescer e o pai a minguar?"

"Meu ser começa num ponto e num ponto há-de acabar; mas dirá metade quem com o meu nome acertar."

Estas adivinhas encontrei-as num livro da Isabel Silvestre. São o mote para este post.

Um dos prazeres que por vezes me acontece é este…



emprestarem-me uns pares de meias rendadas, antigas, que os filhos usaram em pequenos, feitas pelas avós e pelas tias…
o prazer vem de ter estes trabalhos antigos em mão e tentar desvendar os segredos que estes pontos encerram.



Normalmente consigo descobri-los… mas, nesta arte, parece-me, o mais difícil é adequar a espessura das agulhas e das linhas para se conseguir o efeito parecido com o original. Também é preciso não esquecer que estas meias foram usadas e lavadas, as malhas assentaram, acamaram, ficam com um efeito diferente.

O que falta ainda? uma coisa muito importante... a imaginação das mulheres alentejanas levava-as a dar nomes a cada um destes pontos, conheciam-nos pelo nome, quase sempre associado a elementos da natureza que as rodeava. Tenho que procurar a autora destas meias para lhe perguntar pelos nomes, talvez ainda se lembre...

Alguns destes pontos podem dar origem a alguns xailinhos (a minha paixão, já são tantos...).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

...

Já faz quase 1 ano que nos ofereceram um velo de merino alentejano castanho. Era o primeiro velo da ovelhita. Um pêlo muito fino e curto. Demorei muito tempo a ganhar coragem para trabalhar esta lã.


Antes de ir de férias cardei com muito cuidado pequenos pedaços de lã, coloquei-os lado a lado até ter volume suficiente para fazer um rolag. Depois das férias foi fiar com a calma necessária.


O fio não ficou muito uniforme, por culpa da fiadeira que ainda não tem mão firme, mas também pela preparação do velo. Continuo a achar que cardar à mão é uma arte muito difícil. É dificil distribuir homogeneamente o pêlo e retirar todos os nós. Quando se está a fiar, volta não volta aparecem uns grumos, e o fio vai variando de espessura.


Fiquei com uma meada de 110 gr e 130 m. 9 /10 wpi (warp per inch ou voltas por cada polegada) o que segundo as tabelas sugere agulhas 5 a 8mm.


Agora falta decidir o que fazer com a meada. Não é muito grande, por isso talvez dê uma gola ou um pequeno xaile. Demorei um ano a fiá-la....espero não levar outro a tricotar ; )


Alguém tem sugestões?