segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Preparação dos Velos 2011 - Abertura e cardagem

A seguir à lavagem vem um processo muito entediante, longo e demorado, mas apesar disso necessário.  A abertura da lã.

O objectivo é preparar a lã para cardar. Separam-se as fibras, retiram-se os nós, a "penugem" e muito lixo. O melhor método é abrir a lã à mão, os dedos sentem melhor que qualquer utensílio o que está a mais. Mas também é o mais demorado...Existem máquinas que nos facilitam a vida, mas só se tornam rentáveis para quem tem muita lã para tratar. Não sem o nome em português, em inglês são wool pickers e parecem máquinas de tortura mediaval. (Quando tiver oportunidade é a minha próxima compra! )

A seguir é só cardar (também não é um processo rápido) e enrolar os rolags. A lã fica pronta para trabalhar, quer fiar ou feltrar.

Ainda não acabei de cardar os 3.2Kg iniciais de lã. Mas pela amostra vou obter  1.8Kg de rolags prontos a usar. No total há uma perda de 44% do peso de lã suja. Quase metade! Uma grande parte é terra e sujidade. A parte mais pequena é a lã desprezada, a que não dá para fiar. Mas mesmo assim ainda é um grande volume de lã. Até ao momento ainda só descobri dois propósitos para estes restos: para enchimento ou para feltrar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Montra

Novos produtos aqui.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Meias

"Qual é a coisa qual é ela, que são quatro a trabalhar, dez a ajudar, a mãe a crescer e o pai a minguar?"

"Meu ser começa num ponto e num ponto há-de acabar; mas dirá metade quem com o meu nome acertar."

Estas adivinhas encontrei-as num livro da Isabel Silvestre. São o mote para este post.

Um dos prazeres que por vezes me acontece é este…



emprestarem-me uns pares de meias rendadas, antigas, que os filhos usaram em pequenos, feitas pelas avós e pelas tias…
o prazer vem de ter estes trabalhos antigos em mão e tentar desvendar os segredos que estes pontos encerram.



Normalmente consigo descobri-los… mas, nesta arte, parece-me, o mais difícil é adequar a espessura das agulhas e das linhas para se conseguir o efeito parecido com o original. Também é preciso não esquecer que estas meias foram usadas e lavadas, as malhas assentaram, acamaram, ficam com um efeito diferente.

O que falta ainda? uma coisa muito importante... a imaginação das mulheres alentejanas levava-as a dar nomes a cada um destes pontos, conheciam-nos pelo nome, quase sempre associado a elementos da natureza que as rodeava. Tenho que procurar a autora destas meias para lhe perguntar pelos nomes, talvez ainda se lembre...

Alguns destes pontos podem dar origem a alguns xailinhos (a minha paixão, já são tantos...).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

...

Já faz quase 1 ano que nos ofereceram um velo de merino alentejano castanho. Era o primeiro velo da ovelhita. Um pêlo muito fino e curto. Demorei muito tempo a ganhar coragem para trabalhar esta lã.


Antes de ir de férias cardei com muito cuidado pequenos pedaços de lã, coloquei-os lado a lado até ter volume suficiente para fazer um rolag. Depois das férias foi fiar com a calma necessária.


O fio não ficou muito uniforme, por culpa da fiadeira que ainda não tem mão firme, mas também pela preparação do velo. Continuo a achar que cardar à mão é uma arte muito difícil. É dificil distribuir homogeneamente o pêlo e retirar todos os nós. Quando se está a fiar, volta não volta aparecem uns grumos, e o fio vai variando de espessura.


Fiquei com uma meada de 110 gr e 130 m. 9 /10 wpi (warp per inch ou voltas por cada polegada) o que segundo as tabelas sugere agulhas 5 a 8mm.


Agora falta decidir o que fazer com a meada. Não é muito grande, por isso talvez dê uma gola ou um pequeno xaile. Demorei um ano a fiá-la....espero não levar outro a tricotar ; )


Alguém tem sugestões?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Preparação dos Velos 2011 - Lavagem

Este é o segundo ano que tenho acesso a velos vindos directamente do produtor. No ano passado, ainda muito verde na matéria, fiz várias tentativas de limpeza da lã e de cardagem. Os resultados foram variáveis e quando comecei a fiar em roda, percebi que eram longe do desejável. A lã ficava pegajosa e cheia de pequenos nós, o que torna muito difícil fiar um fio homogéneo.




Procurei toda a informação que consegui. Comecei pelo Alden Amos ( a bíblia da lã), procurei na net descrições do processo industrial e artesanal da lã, li vários blogs....e cheguei a um método que já produz resultados agradáveis. A qualidade do fio depende em grande parte da preparação da lã, daí a importancia destes passos.

A preparação dos velos envolve 3 passos principais: a lavagem, abertura da lã e cardagem.

Foi assim que lavei a lã:


- 3 banhos de àgua fria, o primeiro com sabão. A àgua saiu barrenta, de tal modo que nem conseguia ver a minha mão. Repeti banhos frios até a àgua sair límpida e sem sabão .

- 3 banhos de àgua a 45ºc. A lanolina dissolve-se a 45ºC e liga-se ao sabão. Passei por mais 2 banhos quentes até a àgua voltar a sair limpida e sem sabão.


A seguir é deixar escorrer e secar.


Comecei com 2 velos, 3.2Kg no total. Depois de seca já só tenho 1.85Kg, uma perda de peso de 42% ! Acredito que esta percentagem ainda aumente um pouco, apesar de lavadinha ainda tem muita matéria orgânica e terra. Mas isso fica para a próxima fase...a abertura da lã.

domingo, 7 de agosto de 2011

Férias?

Já fui, já vim, já tive a primeira semana de trabalho.
Souberam a muito pouco. O que vale é que ainda faltam uns diasitos, pode ser que o tempo melhore para a praia.
Andamos tanto tempo à espera das férias e sabem sempre a tão pouco.
Entretanto tivemos duas festas de anos e um casamento... é bom ter festas!



Houve uma menina que ganhou um vestidinho de verão. Espero que lhe tenha servido. Em cada ponto foi um voto de felicidades para esta menina e para a sua família.



As férias foram boas, deram para matar saudades, visitar locais novos, embora no mesmo local... Neste momento é o sítio que representa paz e harmonia, ausência de stress



Apesar de o tempo não ter estado muito bom para a praia sempre houve quem aproveitasse, e bem!



Cada um pode escolher como aproveitar o seu tempo... eu escolhi experimentar a roda de fiar da minha irmã. Ainda não faço um fio muito uniforme mas fiquei entusiasmada com a experiência. Quero mais mas a rodinha está tão longe. É tão mais eficiente que fiar à mão, com fuso.
O resultado foram estas meaditas. A castanha é uma lã penteada comprada em tempos na Retrosaria. As "amostras" amarela e vermelha são o resto de uma mecha comprada na Brancal, que já tinha fiado à mão. Ainda pensei em misturá-las de alguma forma, mas não arrisquei... fiei-as em separado. Se quiser misturar cores posso fazê-lo enquanto tricoto. Estou ansiosa pela próxima oportunidade de utilizar a roda.



Nas férias ainda sobrou um tempinho para um projecto que andava guardado há algum tempo. Gostei muito desta lã quando a vi, mas não tinha nenhuma ideia em concreto. Levou algum tempo a associá-la ao "Traveling Woman". Foi um trabalho rápido de realizar e o efeito intermédio agrada. Estou à espera para ver como fica depois de esticado.

De volta das féria encomendei uma meada de Noro Sekku. As cores são lindas. Tenho visto alguns modelos do "Citron shawl" feito com este fio que me deixaram encantada. Encantada com o modelo e encantada com o fio... pode ser o projecto que se segue.

Como fundo da foto tenho uma Chita de Alcobaça, que comprei já há um ano, na Ericeira, para fazer umas cortinas para o escritório. O principal problema tem sido ter medo de o cortar... parece-me que terei que ganhar coragem...
Vamos pensar nisso com calma. :)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Xailete Alentejano

Ao longo destes últimos meses (ou ano?) tenho visto vários trabalhos em fair isle, lindas cores que fazem um lindo efeito final, trabalho difícil que exige empenho e atenção… gosto assim. Mas as cores que tenho à minha disposição não se adequam aos modelos que ia vendo.
O tempo era pouco, a vontade de experimentar estava à espera da altura própria para se tornar forte.

Entretanto a “Ervilha Cor-de-rosa” lançou a beiroa em castanho. Vi alguns trabalhos a duas cores (crú e castanho), gostei muto da combinação.

Há muito muito tempo “O Expresso” editou um conjunto de folhetos sobre o artesanato português. Ficaram-se sempre na memória.
Não tem muitas novidades, as fotografias que lá estão aparecem hoje em dia, talvez mais actualizadas. A fotografia da contracapa mostra o padrão de uma manta alentejana, a duas cores.

Conjugando estes 3 factores nasceu este Xailete, nem xaile, nem xailinho, xailete é que é! Xailete Alentejano, feito com lã da Serra da Estrela. É pequeno mas suficiente para tapar os ombros e não prender os movimentos. Só lhe falta um botão para fechar como deve de ser. O botão também foi “encomendado” tentando manter o espírito natureza.






Antes de mais devo dizer "gaba-te cesto, amanhã vais à vindima", mas parece-me que ficou mesmo bonito.